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Entusiasmo, criatividade e desempenho

“Dêem-me a oportunidade de dar o melhor de mim.” Ouvi esta frase no cinema e nunca mais esqueci. Foi numa das cenas finais do filme A festa de Babete, quando ela é questionada por ter gasto toda a fortuna que havia ganho na loteria, para preparar um jantar para um grupo de pessoas. A resposta da personagem é uma lição inesquecível:

Sentir-se útil é uma condição de equilíbrio da personalidade humana, e todos têm o direito de dar o melhor de si. Ser mais produtivo, portanto, não é um dever que a pessoa tem, mas sim um direito, que precisa ser viabilizado pela organização.

Isso vale para todo tipo de trabalho. Lidando com máquinas ou apenas com argumentos, em linhas de montagem, em lojas ou em equipes de telemarketing, em escritórios ou balcões de atendimento, pessoalmente ou pelo telefone. Se as pessoas não se sentirem valorizadas pelo que fazem, fica muito difícil dar o melhor de si.

Já se foi o tempo em que o bom emprego era aquele lugar tranqüilo, estável, onde nada de novo acontecia, ninguém corria riscos, e o funcionário ficava contando o tempo que faltava para completar dez anos de casa ou para se aposentar. Hoje as boas oportunidades profissionais estão sempre associadas a desafios. Nada é estático. A aprendizagem tem que ser contínua e incessante.

Ter entusiasmo por uma atividade profissional pressupõe também estar interessado em aprender, aprimorar-se continuamente, manter-se altamente qualificado, desenvolver ao máximo o próprio talento e o talento dos que o cercam.

Todos nós, em qualquer profissão que tivermos, estamos sempre “vendendo nosso peixe”. Fornecendo produtos, ou idéias, ou serviços, sempre estamos lidando com clientes. Consumidor, fornecedor, funcionário, colega, chefe, diretor, vendedor, acionista, familiares, todo mundo é cliente. A começar por você – seu primeiro e mais importante cliente. No mercado competitivo, a forma como lidamos com nossos clientes vai ser decisiva para o resultado que vamos obter.

Não basta atender direitinho, como quem segue um manual de instruções ao pé da letra. Existe coisa mais enfadonha do que uma pessoa que repete sempre as mesmas falas? Para renovar a cada dia o entusiasmo em nós mesmos e nas pessoas com quem lidamos (inclusive em nossos clientes) é preciso criatividade. O universo está sempre se renovando a cada dia. Nós também podemos ser criativos sempre. Saber usar a nossa capacidade criadora pode ser um trunfo importante e valioso para que nosso trabalho seja pleno de entusiasmo e de bons resultados.

As idéias criativas têm um grande poder de despertar entusiasmo nas pessoas, porque saem da rotina e dão mais colorido à vida. A melhor resposta diante de um cliente pode ser a mais inusitada, a que ele menos espera. Sabemos que comprar é uma atitude emocional, por isso a criatividade dos argumentos é uma chave para tornar a conversa fascinante, criando o clima propício a uma decisão positiva.

Às vezes, o cliente, ou qualquer interlocutor, nos coloca em situação difícil exatamente para testar nossa inteligência naquele momento. Este é o momento ideal para responder de uma forma inesperada, surpreendente e bem-humorada, com presença de espírito, desarmando as resistências da pessoa com quem falamos.

No livro “A Força do Entusiasmo”, conto uma história que é um bom exemplo disso:

O diretor de marketing de uma rede de magazines nos Estados Unidos resolveu, em certa ocasião, visitar pessoalmente todas as lojas. Quando chegou à primeira loja, antes de procurar o gerente resolveu ficar num canto, discretamente, observando a postura dos vendedores.
Viu então um vendedor mostrando anzóis para um cliente e ficou prestando atenção, sem se fazer notar. Depois de vender alguns anzóis, o vendedor mostrou linha, varas, molinetes e diversos equipamentos de pesca. O cliente ia se convencendo e comprando quase tudo o que ele oferecia.
“Esse vendedor é de fato muito convincente”, pensava o diretor.
Se ele já estava admirado com a performance do seu vendedor, ficou realmente estupefato quando o viu vender até um barco de pesca para o mesmo cliente, que saiu da loja demonstrando grande satisfação com a compra.
Mais tarde, na sala do gerente, o diretor mandou chamar esse vendedor e relatou o que vinha visto, para então comentar, com admiração:
“O cliente chegou para comprar um simples anzol e você foi oferecendo a ele uma série de produtos, chegando a vender até um barco! Excelente a sua técnica de vendas! Parabéns!”
O vendedor, então, respondeu com simplicidade:
“É, mas ele não veio comprar anzol.”
“Como assim?”
“Ele chegou na loja pedindo um absorvente íntimo para sua esposa. Aí eu trouxe o absorvente e lhe disse: “Que tal o senhor ir pescar nos próximos três dias?...”

Autor: Prof. Gretz




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