› ENTREVISTA
Dezembro de 2009 | Produção e reportagem: Priscila Hayashi | Fotos: divulgação

“Nós tivemos uma musculatura mais resistente para enfrentar a crise”
O Presidente da FENADVB, Agostinho Turbian, fala de um país pós crise e de suas experiências com empresas japonesas
Formado em Administração de Empresas e com MBA em Liderança, aos 52 anos, Agostinho Turbian ocupa a presidência da Federação das Associações dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (FENADVB), entidade que já formou e capacitou mais de um milhão de profissionais do setor. Além de coordenar o trabalho da entidade em todo o território brasileiro, ele ainda dirige as ADVB presentes no exterior como Japão, Estados Unidos, Portugal e já planeja levar a ADVB para Dubai e outros países do mundo.
Em entrevista concedida a Central Trade, Turbian afirma que o país já tinha muita experiência em sua bagagem contra crise econômicas e destaca que o mercado está de portas abertas para investidores japoneses ou de outros países que busquem novos mercados.
CT - Dados de pesquisas mundiais mostram que o Brasil saiu sem muitos danos permanentes da crise econômica mundial e em melhores condições que países como o Japão ou a China. Por quê você acredita que isso foi possível?
Agostinho Turbian - O Brasil já caminhava a largos passos para colocar sua economia de forma a participar do mundo globalizado. A experiência negativa ou difícil de várias tentativas em estabilizar a nossa economia nos fez ter uma musculatura mais resistente. Outra razão foi a decisão do atual governo em manter as linhas gerais implementadas pelo governo anterior, o que aqui temos que dar dois parabéns primeiro ao Presidente Fernando Henrique Cardoso pelo que fez a duras penas e ao presidente Lula que não permitiu alterações, muito pelo contrário implementou a política do Banco Central tal qual como deveria e vinha sendo implementada. Por outro lado, a capacidade de absorção do mercado interno que vinha se preparando e evoluiu muito em termo de renda para as classe C,D e E foram fundamentais neste processo. Havia uma distribuição de renda em prática no Brasil fazia mais de 10 anos e cresceu muito com a política social do atual governo. O ingresso de capital estrangeiro por falta de opções e melhores garantias internacionais também ajudou muito.
CT – O que você e a FENADVB levam para o exterior como chamariz do Brasil?
Agostinho Turbian - O que a FENADVB leva como chamariz, é a oferta de um povo e uma nação excepcionais, e enormes oportunidades de negócios, além do mercado interno. O povo brasileiro, os empresários e políticos do Brasil. Em que pese tudo o que está acontecendo na nossa política ela está evoluindo, por incrível que pareça. A mídia nos ajuda muito mas como ela fala mais das falcatruas aqui e acolá parece que somos um país de políticos desonestos totalmente quando isso não é a realidade. Aqui no Brasil como no mundo todo as pessoas estão evoluindo no que diz respeito a esse assunto político, ainda bem.
CT – Qual foi a sua impressão em negociações com empresários/empresas japonesas?
Agostinho Turbian - A melhor possível. Não há diferença entre pessoas e sociedade nos negócios, há formatos e regras que devem ser respeitadas e só isso. Ao cidadão japonês só posso estender meus mais elevados votos de estima e apreço, é gente de primeira grandeza. Eu gosto e tenho bons amigos da colônia.
CT - Em sua opinião, que dificuldades, o empresário japonês ainda encontra no Brasil? É possível driblá-las?
Agostinho Turbian - O Brasil evoluiu muito nas exigências burocráticas nos últimos anos. Percebeu a tempo que isso afastava investidores e atraia atravessadores e empresários não desejados para o país. As Associações Comerciais, os Governos Estaduais e municipais e até o Federal estão em sintonia fina nessa área. Claro que a maior dificuldade ainda é o idioma, mas nada que uma boa escola não ajude.
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