› ENTREVISTA

Outubro de 2009 | Produção e reportagem: Priscila Hayashi | Fotos: divulgação, cedidas

“Somos um país promissor”

A Presidente da rede Blue Tree, em entrevista para a Central Trade fala de Brasil, Japão, seus negócios e investimentos e garante que ainda há um mar de oportunidades nos dois países para empresários que buscam internacionalização

A “Dama da hotelaria brasileira” está sempre em busca de algo novo, diferente, melhor e em respeito ao público. “Ainda há lacunas no mercado e podemos completá-las”, afirma a Sra. Aoki. Com sabedoria, inovação e talento, a Presidente Chieko Aoki deu início à transformação do setor hoteleiro em 1992. Hoje ela comanda uma das maiores cadeias de hotéis do país, formada pela Blue Tree Park (resorts e hotéis de luxo), Blue Tree Premium (hotéis de alto padrão com serviços sofisticados), Blue Tree Towers (hotéis especializados no segmento business), o Blue Tree Village (charmosos hotéis em pontos turísticos) e o recém inaugurado Spotlight (hotéis do segmento econômico).
A Sra. Aoki nasceu no Japão e chegou ao Brasil com seis anos, passando sua infância em Bastos, interior do Estado de São Paulo. É formada em Direito pela USP (Universidade São Paulo), pós-graduada em Administração de Empresas na Universidade Sofia, Tóquio e em Administração Hoteleira na Cornell University, nos Estados Unidos. Em sua carreira profissional, ela passou por diversos países, adquirindo conhecimento, experiência e tornando-se fluente nos idiomas português, inglês, japonês e espanhol.
A empresária participa ainda de diversas atividades e organizações de âmbito privado e governamental e trabalha para o desenvolvimento das relações econômicas e culturais entre Brasil, Japão e América Latina, além de participar de atividades de cunho social. Recebeu diversos prêmios e títulos pela competência e pela qualidade de seus serviços, sendo considerada a “Empreendedora do Ano” em 2002 pela Revista Isto é Dinheiro, “Personalidade de Turismo”, em 2004, 2005 e 2006 pelo Jornal Folha do Turismo em Parceria com a Associação Brasileira de Imprensa.

CT - A senhora já trabalhou em diversos países e já teve contato com diversos empresários atuando no setor hoteleiro. Como investidores estrangeiros enxergam o mercado brasileiro?
Chieko Aoki - Posso afirmar que estes enxergam no Brasil um mar de oportunidades. Principalmente a estabilidade política difere o país do restante das nações do BRICs. Somos um país promissor, temos espaço para crescer em infraestrutura, turismo, comércio, energia e, com as novas políticas do presidente Lula, já observamos uma elevação do poder aquisitivo das classes C e D, aumentando o poder de consumo interno. É claro que o país tem muitos problemas, mas sem dúvida, o potencial que um investidor pode vislumbrar aqui é maior do que em muitos outros países emergentes.

CT - Como a senhora observa em suas atividades de desenvolvimento das relações econômicas entre o Brasil e o Japão, acredita que há espaço para investimentos brasileiros no Japão?
Chieko Aoki - Acredito que existe mercado não apenas para investidores, mas para diversos negócios em que Brasil tem competência para concorrer com qualquer país do mundo, como em software bancário e outros softwares específicos cujo mercado já vem sendo explorado pelas empresas brasileiras. Há muito campo também para comércio de alimentos do Brasil para os países da Ásia. Existe mercado latente em todo o mundo e para isso o Brasil deve continuamente investir em tecnologia e em excelência para ser competitivo no preço e em qualidade.

CT – O Japão é um país rico em tradição e cultura. Essas particularidades têm grande influência e peso nas negociações?
Chieko Aoki - O mundo está formando, cada vez mais, de empresários e profissionais internacionais que, apesar das diferenças culturais, sabem como fazer negócios com diferentes países. A máxima, “em Roma, como os romanos” é válido ainda nos dias de hoje. Precisamos não apenas conhecer cultura do país, mas especialmente gostar do país e de sua gente porque não há continuidade se não existe empatia. Outro fator importante, quando se faz negócios – isso vale para negócios com outros países ou no mercado doméstico – é a humildade, que nos permite entender o outro lado, a não impor somente o nosso ponto de vista ou cultura. Fazer negócios não é guerrear, mas sim conquistar. Esta atitude é importante, especialmente com os japoneses, que são altamente espiritualizados e consideram laços espirituais e compromissos pessoais até mais fortes do que contratos e as normas legais. Gosto do estilo dos contratos de negócios entre os japoneses onde o princípio básico está na confiança e honestidade das partes, enquanto os contratos dos países ocidentais parte do principio de que as partes podem ser desonestas. Eis aí uma diferença em que podemos aprender muito um com o outro.

CT – Os japoneses começam a buscar novas parcerias para negócios no exterior. O Brasil pode ser um candidato? Em quais áreas o país deve mudar para atrair e facilitar a entrada do investidor japonês?
Chieko Aoki - A instabilidade e falta de previsibilidade jurídica são pontos negativos. O investidor estrangeiro não entende alguns empecilhos legais comuns no país, mas que devem ser sanados para que os negócios se desenrolem de forma mais clara e ágil. Para eles, é muito estranho que uma ação corra na justiça por 10, 15 anos. A legislação brasileira, principalmente a trabalhista, é inadequada para atualidade e precisa ser mudada. É importante priorizar a facilidade da entrada e saída do capital, as proteções legais sobre o investimento assim como normas legais claras e aplicação correta das leis. Veja por exemplo a exigência de visto para japoneses. O Brasil quer mais turistas estrangeiros no Brasil mas, prevalece a regra da reciprocidade, que ajuda a desviar o eventual turista para países mais próximos e sem exigências. Tenho sempre comigo a máxima de que, para conquistar clientes é preciso estar próximo deles, na mente e no coração. O Brasil precisa estar mais presente no cotidiano dos japoneses, divulgar mais seus atrativos e benefícios, melhorar de fato, e também a imagem, de que é país seguro, com aplicação rigorosa das leis.

CT - A senhora já pensou em estender seus negócios para o Japão?
Chieko Aoki - Já começamos o processo de ampliação dos negócios na America Latina, com dois hotéis na Argentina e dois no Chile. E em breve seguirão outros. Gostaria sim de ter negócios no Japão, seja em hotelaria ou na área de gastronomia e eventos do grupo. Temos discutido esta possibilidade, mas nada para já. Estamos sempre de olho em bons negócios e se surgir algo atraente, quem sabe, inclusive em parceria com alguma empresa japonesa. Pessoalmente, acharei ótimo, porque gosto do Japão e me atrai fazer negócios com os japoneses.

Blue Tree Hotels
www.bluetree.com.br


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