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Novembro de 2009 | Produção e reportagem: Priscila Hayashi | Fotos: divulgação, cedidas

“Aqui temos a comunidade nikkei, que pode ser a ponte para novos negócios”

O empresário, filho de japoneses, fala sobre suas experiências na importação de marcas japonesas e dá o seu ponto de vista sobre a entrada do made in japan no mercado brasileiro

Seu reconhecimento como empresário de sucesso teve início nos anos 1990, quando inseriu no mercado brasileiro, grandes marcas japonesas como a Bigen (coloração capilar) e a Shiseido (cosméticos).Walter Ihoshi foi nomeado Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos Higiênicos, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) e Diretor do Sindicato da Indústria de Perfumaria e Artigos de Toucador no Estado de São Paulo (SIPATESP). Ingressou também na política, como Subprefeito de Jabaquara (250 mil habitantes), bairro da zona sul de São Paulo.
Desenvolvendo com grandiosidade as carreiras empresariais e políticas, o nikkei assumiu responsabilidades engajando-se em causas em prol do desenvolvimento das relações bilaterais entre o Brasil e o Japão. Atualmente, Ihoshi é Deputado Federal, Vice-presidente da FACESP (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), assim como da Comissão de Defesa do Consumidor e Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão.
Como membro das Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e de Viação e Transporte, está ligado ao processo de licitação para implantação da tecnologia japonesa do trem de alta velocidade no Brasil e atua em contato direto com ministros, secretários e empresários japoneses no milionário investimento brasileiro.
Com mais de 20 anos de experiência em negociações entre os dois países, Ihoshi dá o seu ponto de vista sobre a economia brasileira e a competitividade dos nossos produtos no Japão.

CT - Você inseriu no mercado brasileiro conceituadas e tradicionais marcas japonesas em 1995. Como foi o processo de negociação?
Walter Ihoshi - A idéia de trazer a Bigen foi do meu pai. Foi ele quem buscou a marca e passou a revendê-la. Ele começou vendendo de porta em porta nos salões de beleza, sem falar quase nada de português, mas com simpatia e eficiência conquistou rapidamente muitos clientes. A qualidade do produto ajudou bastante. Só entrei no processo quando retornei da pós-graduação nos Estados Unidos. Hoje, a Bigen é comercializada em 50 mil pontos de venda no Brasil. O processo da Shiseido foi mais trabalhoso. Foram três anos de negociação. Negociar com empresas japonesas costuma ser um processo longo, porque eles fazem a lição de casa e nos estudam minuciosamente. Concorremos com 100 empresas onde o critério principal foi a competência. Mas conhecer a cultura japonesa influenciou, sobretudo, após o fechamento do contrato. Ser nikkei, falar japonês e entender o comportamento dos japoneses foi fundamental para o sucesso da parceria.

CT – Você acredita que as negociações com o Japão sofreram mudanças positivas nos últimos anos?
Walter Ihoshi - A internacionalização passou a ser via de mão dupla, porque o mercado está mais globalizado. A entrada da Shiseido foi uma mudança positiva, até por ela ser líder de mercado no Japão. Mas não é porque ela entrou que outras conseguiram entrar. Muitas empresas tentaram e não conseguiram. Mesmo assim, há enorme potencial de consolidação de novas marcas em nosso País.

CT – O Brasil já está em condições para receber novos investimentos externos?
Walter Ihoshi - Já está recebendo. O Brasil é um dos focos de investimentos do Japão, principalmente, após a definição da Copa de 2014 e das Olimpíadas no Rio, em 2016. Já somos o 6º maior país a receber recursos japoneses no mundo, e o primeiro da América Latina.

CT - Em sua opinião, que vantagens o Japão encontra no Brasil?
Walter Ihoshi - A diferença do Brasil em relação aos outros países é que aqui temos a comunidade nikkei, que pode ser a ponte para novos negócios. Além disso, existe uma complementaridade entre Brasil e Japão. O Brasil tem cada vez mais mão-de-obra qualificada, tecnologia instalada, um mercado interno forte – que inclusive assegurou uma saída rápida da crise mundial - matéria-prima em abundância e economia estabilizada, item fundamental para a atração de investidores e crescimento.

CT - Por outro lado, devem existir ainda pontos a serem desenvolvidos para faciltar a entrada, não só do Japão como de outros investimentos externos. Que tipo de barreiras o Brasil ainda oferece?
Walter Ihoshi - Impostos, ausências e falhas em marcos regulatórios, segurança e faltas de leis que assegurem a propriedade intelectual.

CT - Em via contrária, os produtos Made in Brazil tem sido levados cada vez mais para outros países. Você acredita que ainda nossos produtos sofrem preconceito no mercado externo?
Walter Ihoshi - De forma alguma. Os produtos brasileiros têm conquistado a simpatia de consumidores de todas as partes do planeta, sobretudo, quando esses consumidores associam o Brasil à biodiversidade. O Brasil desenvolve produtos exclusivos, com características e elementos próprios. E isso é muito bom. No Oriente Médio, produtos brasileiros fazem grande sucesso, até porque eles trazem tecnologia somada a embalagens bonitas, com designs inovadores. O Made in Brazil não deixa nada a desejar.

CT - Com relação ao mercado japonês, como é a aceitação dos nossos produtos? Existe alguma vantagem competitiva?
Walter Ihoshi - O produto brasileiro ainda precisa se adaptar às exigências do consumidor japonês, apresentando seus diferenciais e melhorando na qualidade de muitos de seus itens. A vantagem do Brasil em relação ao Japão é a biodiversidade, como mencionei acima. Fabricamos produtos naturais, feitos com matérias-primas de excelência, e isso é, sem dúvida, um ponto positivo para nós.


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